DESABAFO de quem está
na LUTA!
Essa manifestação, na cidade, fez com que as pessoas que sempre lutaram por melhorias sintam-se mais aliviados e gratos.
Finalmente os vassourenses entenderam que se continuássemos passivos diante de tantos desmandos a realidade não mudaria. Somos sim conhecidos por residir numa terra "de barões", mas como a companheira Gesa Correa bem disse na audiência pública da Educação devemos honrar o legado deixado aqui por Mariana Crioula e Manoel Congo, pois, Liderar uma revolta com cerca de trezentos escravos numa região comandada pelos "Barões do Café", foi um feito heroico, que deveria ser ensinado nas escolas. "É necessário que haja heróis negros, principalmente para as crianças terem com quem se identificar". Com certeza nossas aulas de história a partir desse momento retratarão tal fato.
Esse desabafo se faz necessário agora para agradecer a todos e todas que durante anos nessa cidade tiveram o rótulo de “baderneiros”, "de gente que só arruma confusão", "barraqueiros" de tal modo que algumas pessoas que exerciam cargos comissionados não quererem nem falar com pessoas que manifestavam suas opiniões publicamente, hoje com estes atos a comunidade afirmou o que antes já achávamos, ESSA CIDADE TEM QUE MUDAR! Chega não aguentamos mais as chibatadas, PAREM!
Já me sentia orgulhosa quando o prefeito, antes presidente da Câmara Municipal de Vassouras Renan Vinícius votou uma moção de repúdio a mim e a outras colegas, por acreditarmos e lutarmos enquanto professores por questões simples como respeito aos profissionais da educação e alunos. Os eleitores já tiraram alguns deles da “CASA DO POVO”. Depois do dia 13 de maio, dia da primeira paralisação da educação, e hoje quando as pessoas se manifestam nas ruas, sinto-me mais orgulhosa ainda, em ser repudiada por pensar diferente daqueles parlamentares da época. AGRADEÇO PELA MOÇÃO DE REPÚDIO, certamente agora quem receberá moção de repúdio são VOCÊS, pois quem pensa diferente agora não são mais eu, Priscila , Pletsch e Elizabeth,o SEPE, mas A POPULAÇÃO VASSOURENSE.
Sei que muitos pais de alunos devem estar avaliando nossas ações nos últimos dias, peço desculpas pelos transtornos, mas se continuássemos comprando material para dar aula aos seus filhos, fazendo festinhas e rifas para arrumar a Escola, não seríamos dignas de nossos diplomas e nem de lecionar para filhos de trabalhadores e trabalhadoras tão especiais como vocês, que saem cedo de casa para garantir o melhor para seus filhos, deixando-os nas unidades escolares para serem educados.
Na segunda retornaremos às escolas para trabalhar e repor aulas, voltaremos em ESTADO DE GREVE, observando se o executivo atendeu as várias reivindicações feitas quanto a material de limpeza, merenda decente, material didático, ou seja, qualidade de educação, visto que do reajuste salarial dos trabalhadores ele “esqueceu”.
Nossas crianças merecem respeito, continuaremos lutando para que isso aconteça!
Nossa greve foi vitoriosa, nossa categoria hoje está muito mais unida, sabedora de seus direitos e obrigações na Escola e certos que o piso nacional da educação será pago a todos os professores graças a nossa luta, que os profissionais de 20 horas, explorados por tantos anos não mais serão, que caso soframos assédio moral nas escolas denunciaremos e agora sabemos como e onde denunciar, que conseguimos garantir o direito previsto em lei, de ter um horário para preparar nossas aulas , de nossa greve ser conhecida no país inteiro, graças ao apoio de vários partidos políticos, entidades religiosas, jornais, assembleias, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Poderia ficar horas citando com orgulho nossos ganhos, mas não vejo necessidade por se tratarem também de sentimentos antes reprimidos no coração de trabalhadores e trabalhadoras da educação.
“Aprendi com o Mestre da Vida que viver é uma experiência única, belíssima, mas brevíssima. E, por saber que a vida passa tão rápido, sinto necessidade de compreender minhas limitações e aproveitar cada lágrima, sorriso, sucesso e fracasso como uma oportunidade preciosa de crescer”. (Augusto Cury)
Quelei Cristina de Oliveira-professora da rede Municipal de Vassouras
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